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O que é DDG?
Entenda seu Uso na Nutrição de Bovinos

O custo da alimentação está entre os principais desafios da produção de bovinos. Por isso, encontrar ingredientes que forneçam nutrientes e, ao mesmo tempo, permitam maior flexibilidade na formulação das dietas é cada vez mais importante.

É nesse cenário que o DDG vem ganhando espaço.

Mas o que existe por trás desse ingrediente? Por que ele apresenta tanto interesse para a nutrição de bovinos? E será que todo DDG pode ser utilizado da mesma maneira?

Neste artigo, vamos entender o que é o DDG, como ele é produzido, quais nutrientes oferece e quais pontos devem ser avaliados antes de incluí-lo na dieta de bovinos de corte ou vacas leiteiras.

O que é DDG?

DDG é a sigla para Dried Distillers Grains, ou grãos secos de destilaria.

Ele é um coproduto obtido durante a produção de etanol a partir de grãos, principalmente o milho, mas também podendo ter origem em outros cereais, como sorgo, trigo e cevada.

A lógica é simples: o grão entra na indústria principalmente para que seu amido seja utilizado na produção de etanol. Durante esse processo, parte dos componentes do grão é fermentada e transformada, enquanto outros nutrientes permanecem no material resultante.

Quando esse material é separado e submetido à secagem, obtém-se o DDG.

E é justamente aí que está o interesse nutricional: o produto final concentra componentes que podem ser aproveitados pelos bovinos, principalmente proteína, fibra e energia.

Do milho ao DDG: como ele é produzido?

Para entender o DDG, vale acompanhar rapidamente o caminho percorrido pelo milho dentro da indústria.

O grão passa inicialmente por processos como moagem e cozimento, seguindo para etapas de liquefação, sacarificação e fermentação. Nessa fase, enzimas e leveduras atuam sobre o amido, produzindo os compostos que posteriormente serão utilizados para obtenção do etanol.

Depois da fermentação ocorre a destilação, responsável pela separação do etanol.

O que permanece após essa etapa contém uma fração sólida e componentes líquidos. A fração sólida pode ser separada como WDG (grãos úmidos de destilaria). Quando os solúveis são reincorporados ao WDG, forma-se o WDGS.

A partir da secagem desses materiais são obtidos os produtos secos, como DDG e DDGS.

como é produzido o etanol a partir do milho

E qual é a diferença entre DDG, DDGS, WDG e WDGS?

Essa diferença é importante na hora de formular uma dieta.

De maneira simplificada:

  • WDG: grãos úmidos de destilaria;
  • WDGS: grãos úmidos de destilaria com solúveis;
  • DDG: grãos secos de destilaria;
  • DDGS: grãos secos de destilaria com solúveis.
 

A presença ou ausência dos solúveis modifica a composição do produto. Por isso, DDG e DDGS não devem ser tratados automaticamente como se fossem o mesmo ingrediente.

O que o DDG oferece ao animal?

O grande diferencial do DDG não está em possuir apenas um nutriente de destaque, mas na combinação de nutrientes que ele pode levar para a dieta.

Sua composição pode apresentar níveis relevantes de:

Proteína + PNDR + fibra + energia + gordura + minerais

Isso faz com que o DDG possa assumir funções diferentes dentro de uma formulação, dependendo dos demais ingredientes utilizados e das exigências do animal.

Em uma determinada dieta, ele pode contribuir principalmente para o fornecimento de proteína. Em outra, pode participar também do fornecimento de energia e fibra.

Por isso, olhar apenas para o teor de proteína e decidir quanto DDG utilizar é uma simplificação que pode levar a erros.

composição bromatológica do DDG e do DDGS.

DDG na alimentação de bovinos de corte

Na bovinocultura de corte, o DDG pode ser utilizado tanto em sistemas de confinamento quanto em estratégias de suplementação de animais mantidos a pasto.

No pasto, por exemplo, o suplemento precisa complementar aquilo que a forragem não consegue fornecer em quantidade suficiente para atender ao objetivo de produção.

Nesse contexto, o DDG pode entrar como fonte de proteína e energia, contribuindo para aumentar a densidade de nutrientes do suplemento.

Em animais confinados, a lógica muda um pouco. O DDG passa a fazer parte de uma dieta mais complexa, na qual sua inclusão precisa ser avaliada junto ao milho, fontes proteicas, volumosos e demais ingredientes.

O ponto central é: não existe uma quantidade de DDG que sirva para todos os bovinos. A inclusão precisa acompanhar a composição do produto e a função que se deseja que ele desempenhe na dieta.

E nas vacas leiteiras?

Para vacas leiteiras, a utilização do DDG também pode ser interessante, principalmente pela combinação de proteína, PNDR, fibra e energia.

Entretanto, a formulação precisa considerar que uma vaca em lactação possui elevada demanda por nutrientes, e pequenas alterações na dieta podem modificar o fornecimento de proteína, energia, gordura e minerais.

Por isso, ao inserir DDG em uma dieta de vacas leiteiras, não basta observar se o produto possui bastante proteína.

É necessário avaliar quanto dessa proteína chega ao intestino, qual é a contribuição energética, como fica a fibra da dieta e quais nutrientes já estão sendo fornecidos pelos demais ingredientes.

O resultado depende da dieta completa, e não de um ingrediente isoladamente.

O que avaliar antes de comprar DDG?

Antes de colocar o DDG na formulação, três perguntas são fundamentais:

Avalie, pelo menos, matéria seca, proteína bruta, FDN, FDA, extrato etéreo, minerais e demais informações disponíveis na análise bromatológica.

Será utilizado principalmente para fornecer proteína? Para substituir parte de uma fonte proteica? Para contribuir com energia? Ou para combinar essas funções?

Essa definição evita que o DDG seja incluído simplesmente porque possui um determinado teor de proteína.

O preço por tonelada ou por saco não conta toda a história.

O mais importante é comparar o custo por unidade de matéria seca e por nutriente fornecido, considerando também os ingredientes que serão substituídos.

É dessa forma que o DDG deixa de ser apenas um “ingrediente barato” e passa a ser analisado como uma ferramenta de formulação.

DDG: oportunidade ou apenas mais um ingrediente?

A resposta depende da situação.

O DDG pode ser uma alternativa interessante porque reúne características que permitem sua utilização em diferentes estratégias nutricionais. Entretanto, seu aproveitamento depende da qualidade do produto, da composição da dieta, da categoria animal e do preço em relação às demais opções disponíveis.

O erro está em olhar para o DDG de forma isolada.

Um bom ingrediente não é necessariamente aquele que possui o maior teor de proteína ou o menor preço. É aquele que consegue entregar os nutrientes necessários dentro de uma dieta equilibrada e economicamente coerente.

Conclusão

O DDG deixou de ser apenas um coproduto da indústria de etanol e passou a ocupar espaço como ingrediente na alimentação de bovinos.

Sua combinação de proteína, PNDR, fibra e energia permitem diferentes possibilidades de utilização em dietas de bovinos de corte e vacas leiteiras.

Mas existe uma regra que não deve ser esquecida: DDG não é um produto padronizado.

A origem, o processamento e a composição precisam ser conhecidos antes da inclusão na dieta. Com essas informações em mãos, o nutricionista consegue determinar qual será a melhor função do ingrediente e quanto ele pode contribuir para o sistema.

No fim, a pergunta não deveria ser apenas “quanto custa o DDG?”

A pergunta mais importante é:

“Quanto de valor nutricional esse DDG consegue entregar dentro da minha dieta?”

É essa mudança de olhar que transforma um coproduto em uma verdadeira ferramenta de nutrição.

Referências

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